• Helena - 50 Livros

Resenha de "O Conto da Aia", de Margaret Atwood


SINOPSE DE ORELHA

Offred tem 33 anos e é uma serva da República de Gilead, apenas uma aia da casa de um enigmático comandante do alto escalão do exército e de sua esposa. Ela tem permissão para fazer compras uma vez por dia em mercado cujos letreiros foram trocados por desenhos, já que agora as mulheres são proibidas de ler. Ela também é livre para rezar, fechada em seu quarto, segundo os preceitos do Velho Testamento. E, sem que ninguém saiba, Offred também pode se lembrar de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder seu próprio nome.

Mas a República de Gilead oferece apenas uma função real para as aias: procriar. Em um mundo devastado pela radiação e pelos efeitos de uma guerra em andamento, a maioria das mulheres no que outrora foram os Estados Unidos da América são inférteis. Com a queda da natalidade, Offred foi levada de sua família e hoje é propriedade do governo, pertencendo a casta das mulheres escolhidas que ainda podem gerar filhos.

Caso não cumpram as expectativas, Offred pode se tornar uma das Não-mulheres - aquelas que não podem engravidar, as homossexuais, viúvas, adulteras e feministas, condenadas a trabalhos forçados nas colônias, lugares onde o nível de radiação é fatal. Caso quebre as regras, as aias podem ter os mesmos destinos dos criminosos comuns: o fuzilamento e a subsequente exposição no muro, onde os mortos servem de exemplo em praça pública a todos os cidadãos.

Em meio à opressão, em um Estado teocrático e totalitário, Offred se agarra à esperança de saber o paradeiro da filha e do marido e resiste, extraindo os segredos íntimos daqueles que controlam seus movimentos, ainda que isso ponha sua vida em risco. Mas nem mesmo o fundamentalismo cristão de Gilead moderar obliterar o desejo - nem o de Offred, nem o dos homens que detém o seu futuro.

Em uma narrativa surpreendente, Margaret Atwood revela os contos escuros por trás de todo o poder estabelecido, em um mundo onde tendências políticas atuais são levadas às suas conclusões lógicas. Uma poderosa reflexão sobre liberdade, direitos civis, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. O Conto da Aia retorna a tradição de clássico da literatura distópico como 1984 e Admirável Mundo Novo sob uma perspectiva original e feminina, e já foi adaptado para o cinema, o teatro, a ópera e, agora, uma aclamada série de TV.

SOBRE A AUTORA

Uma das maiores escritoras de língua inglesa, a canadense Margaret Atwood foi consagrada com alguns dos maiores prêmios internacionais, como o Man Booker Prize (O Assassino Cego, 2000) e o Príncipe de Astúrias pelo conjunto de sua obra (2008). Transita com igual talento pelo romance, o conto, a poesia e o ensaio, se destacando também por suas sólidas incursões no terreno da ficção científica, em obras como Onyx e Crake e o Ano do Dilúvio, publicadas pela Rocco.

NOTAS

ENREDO: 4 PERSONAGENS: 3

DESENVOLVIMENTO E ESCRITA: 5 INÍCIO: 3

MEIO: 4 FIM: 5

NOTA FINAL: 4 de 5

LIVRO BOM PARA: refletir

MINHA RESENHA

Só decidi ler esse livro por conta de tanta repercussão na mídia e blogs/vlogs em geral. Ele era indicado em todos os lugares que falam de literatura que acompanho. Todos falando que a história era um hino ao feminismo e reflete tudo que estava acontecendo hoje em dia.

Então... tá tudo errado.

Para começar, a pessoa que escreveu a sinopse do livro não leu ele por inteiro. Só me dei conta disso quando estava transcrevendo do livro para esse post, é que a gente raramente relê a orelha depois de terminar o livro. Quem leu (de verdade) vai entender o que eu estou falando, alguns detalhes estão muito errados.

Segundo, ELE NÃO É UM HINO FEMINISTA! Ele é uma distopia em que a mudança social foi religiosa e degradante para as mulheres, mas a narrativa não quer passar a mensagem feminista: UNI-VOS. Não, ele quer mostrar outra coisa; ele quer explorar as NARRATIVAS PESSOAIS E INDIVIDUAIS, tanto que o livro é contado em primeira pessoa, mostrando apenas um lado da história.

"Nossa, Helena... então você tá desmerecendo o discurso da vítima, da sofredora?!" Não, e só quem leu o livro até a última página sabe o que eu estou falando, mas não posso contar porque é um spoiler gigante. Eu nunca liguei para spoilers, não acho que desmereça a história, mas nesse livro é crucial você não saber.

Posso dar um preview (que não é spoiler, pelo amor de Deus): a gente fica imerso na narrativa, sentindo a dor da protagonista, entrando em pânico que isso pode acontecer na vida real. Mas aí vem o final (que parece que é uma nota de editor, mas não é, LEIA ATÉ A ÚLTIMA PÁGINA!) e te faz sair dessa imersão, te dando um choque.

Devo dar meus parabéns à autora, porque a escrita é sensacional. Você pode achar a narrativa arrastada, meio esquisita, mas lendo até final você entende todo o contexto desse estilo de escrita. Dê uma chance que você não vai se arrepender. O livro vai num crescendo, te prendendo e mostrando nuances desse mundo novo.

Toda a conjuntura dos personagens, o pouco conhecimento acerca deles, o mundo mal delineado, tudo isso é explicado com o final. É realmente uma obra de arte, arrisco dizer. Com toda a certeza, me apetitou a ler outros livros de Atwood.

COMPRO EM PAPEL, BAIXO, PEGO EMPRESTADO OU PASSO LOTADO?

Eu te aconselho a baixar, simplesmente pelo fato de que a letra impressa do livro é muito pequena e me senti muito desconfortável lendo ele. Acabei preferindo ler no Kindle para a leitura render mais e a diferença é gritante. O problema é que o valor de uma versão para a outra é de 1 real. Então, acaba não vale a pena, infelizmente.

ONDE COMPRAR

Em papel já está disponível em quase todas as livrarias virtuais, é um livro fácil de encontrar. Mas em ebook só na Amazon mesmo.

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